Brahma:
É o criador do universo, é a inteligência criadora, representa
a mente cósmica.
Brahma tem quatro cabeças e está sentado num cisne. Os Puranas
dizem que ele criou Sarasvati (sua consorte, Deusa do conhecimento) e que
ela corria de um lado para o outro e para cada lado que ela corria nascia
uma cabeça, assim ele é representado com quatro cabeças
significando os quatro vedas e todas as direções do conhecimento.
A tradição Védica usa alguns exemplos para explicar a
criação. É dito que o Criador é como a aranha
tecendo a teia . O Criador é a inteligencia e o material da criação.
Ele retira de si mesmo o material da criação. Assim a criação
é a manifestação do criador.
A base de Brahma é Sarasvati, o conhecimento. Assim Brahma está
sentado num cisne. O cisne tem a capacidade de separar o leite da água,
assim como, o conhecimento é a capacidade de separar o real do não
real (absoluto de maya).
Em suas quatro mãos Brahma sustenta um lotus, os vedas, um vaso contendo
amrita e abaya mudrã. O lotus representa o símbolo da pureza.
Os vedas são as escrituras sagradas contendo todo o conhecimento da
criação e o meio para o conhecimento. O amrita é o néctar
da imortalidade e abaya mudrã abençoa com destemor.
Vishnu:
É o poder de manutenção do universo.Sua natureza é
lila ,ou a representação. Assume diferentes formas à
sua vontade. Ele está em pé sobre um lotus de mil pétalas
com uma concha, um disco, uma massa e um lotus nas mãos. Estes quatro
instrumentos são essenciais para a diversão da vida.
A concha é o instrumento que devolve a união de todos os sons
da criação, representa o som puro , Om, que traz a liberação
para os seres humanos.
O disco ou chakra é o anel de luz que rodopia no dedo indicador de
Vishnu. Ele é o símbolo do Dharma, o dever de fazer o que é
certo e correto, também representa a roda do tempo.
A massa ou clava é um instrumento para atacar os desejos, fonte de
todo o sofrimento e insegurança.
O lotus é mostrado para que não esqueçamos a nossa meta
que é encontrar a nós mesmos. O lotus cresce no lodo e permanece
luminoso, radiante, inafetado pelo ambiente, abre suas pétalas ao primeiro
raio de sol e fecha-se com o último raio de sol.
A consorte de Vishnu é Laksmi a Deusa de todas as riquezas da criação,
incluindo as riquezas da mente e todas as virtudes. Com ela Vishny matém
toda a criação.
Shiva:
É o poder de destruição ou transformação.
A palavra destruição aqui pode ser mal interpretada. Devemos
entender que somente será destruído aquilo que for possível
de ser destruído. O Eu, ser absoluto é sempre existente, é
Brahma, este não é destruído por nada. A destruição
de shiva é a destruição daquilo que é aparente
e que encobre a realidade absoluta, é a destruição da
nossa ignorância. Shiva é o Deus da disciplina, criador do yoga,
assim ele vem mostrar de que forma podemos destruir a ignorância e atingir
Moksha, a liberação do ciclo de nascimento e morte.
Shiva é representado meditando nas neves do monte Kailasa. A brancura
da neve representa a mente sattvica ou purificada necessária para meditar;
seus olhos estão entreabertos mostrando que sua mente está absorta
no ser enquanto seu corpo se relaciona com o mundo; em seu pescoço
ele carrega uma cobra enrrolada, esta representa o ego (é venenoso
quando ataca) sob controle usado como adorno somente; em sua cabeça
a lua como enfeite (lua = memória,ego); sua arma é o trishula
ou tridente simbolizando não só a destruição do
ego e seus três tipos de desejos: fisicos, emocionais e mentais, mas
também a transcendência dos três mundos, dos três
gunas (sattva, rajas e tamas) e dos três períodos de tempo (passado,
presente e futuro). Pendurado no trishula está o tambor de Shiva ou
Damaru que representa o som, o fenômeno da criação do
qual fazem parte da manutenção e a destruição.
No movimento do trishula, ou das gunas, o tambor toca e a criação
ocorre. O cabelo comprido mostra seu poder, todos os tipos de energia concentrados
na busca do conhecimento. Do topo de sua cabeça nasce o ganges (conhecimento,
amrita); seu corpo está coberto de cinzas simbolizando a queima da
ignorância, da ilusão e de todos os desejos; ele está
sentado sobre uma pele de tigre, que morreu de morte natural, porque o sábio
senta-se no corpo (não está identificado com ele) enquanto os
mortais sentam-se no chão. O seu veículo é o Touro Nandi,
simbolo da sexualidade, o controle de shiva sobre o touro simboliza o domínio
sobre a natureza física. O linga é um outro símbolo de
Shiva e representa a força criadora voltada para si mesmo, voltada
para o auto conhecimento. Shiva tem junto de si o Kamandalu, ou pote para
água, representando a renuncia, o ascetismo, o viver com o mínimo
necessário; também leva consigo o Damaru ou tambor que representa
o som, o fenômeno da criação do qual fazem parte a manutenção
e a destruição. Shiva possui vários mãlas (colares
e pulseiras) de rudrãkshas (representa o olhos de shiva) que servem
para disciplinar a mente e preparar para a meditação.
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