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Histórico
Era pré Védica - 7000 a 4500 a.C.
"A civilização Védica do Indu-Sarasvati não
é somente a mais antiga do planeta; era também a maior civilização
da alta antigüidade, muito maior do que a Suméria, a Assíria
e o Egito juntos. Pelo que sabemos no final do terceiro milênio a.C.,
essa civilização estendia-se por uma área de mais ou
menos 750.000 kilometros quadrados".
Georg Feuertein
Até agora foram explorados 60 dos 25.000 sítios arqueológicos
conhecidos, os maiores são: Mohenjo-Daro, Harappa, Ganweriwala, Rakhigarhi,
Kalibangan, Dholavira e a cidade portuária Lothal.
Há pouco tempo escavações arqueológicas no Baluquistão
Oriental (Paquistão) trouxeram a luz uma cidade do tamanho de Stanford
na Califórnia, datada de meados do ano 7000 a.C.- Mehrgarh.
A Civilização do Vale do Indo, também denominada como
cultura Harappiana ou Dravida, teve o seu apogeu entre 3500 a 2000 aC. A civilização
do vale do Hindu ocupava uma área geográfica que se estendia
do Vale do Indo ao Vale do Ganges, descendo até a costa da cabeceira
do mar de Oman, na atual fronteira entre Irã e Paquistão, continuando
até o Golfo de Cambay e chegando bem próxima da moderna Mumbay
(Bombay). Dentro desta área existiam comunidades formadas de pequenas
aldeias de camponeses, cidades de porte médio com portos para navegação
fluvial ou marítima e grandes capitais como Harappa e Mohenjo Daro.
Estudos arqueológicos mostraram que essa é a mais antiga civilização
e que é o berço da civilização da Suméria
e Babilônia, alguns autores falam que a Civilização do
Vale do Indu, Suméria e Babilônia formavam uma única civilização.
A ligação entre elas são sugeridas por selos e sinetes
encontrados nas três regiões.
As ruínas do vale do Indo foram encontradas por Johm e Wiliam Brunton
em 1856, responsáveis pela construção da estrada de ferro
das Indias Orientais, parte dos tijolos das ruínas foram utilizados
na construção da estrada de ferro. Somente sessenta anos mais
tarde iniciaram os estudos arqueológicos. Foram desenterradas duas
grandes capitais: Mohenjo Daro e Harappa. Segundo os pesquisadores Banerji
e Sahni, as cidades eram meticulosamente planejadas, estendendo num plano
de xadrez matemático, com ruas e avenidas de até 14 m. de largura
que corriam de norte a sul e de leste a oeste. As casa eram construídas
com sólidos tijolos de barro cozido, ligados com argamassa de gesso,
sendo em sua maioria confortáveis e com dois andares, quartos, banheiros,
cisterna, cozinha, dispensa, sala de estar, pátio interno, água
canalizada e sistemas de esgoto. Uma característica é que as
casas somente tinham abertura para os pátios internos, as construções
que ficavam nas esquinas dos cruzamentos tinhas as paredes arredondadas, e
segundo os pesquisadores, era para facilitar a visão. Os celeiros,
existentes em bairros públicos, são construídos com engenhoso
sistema de isolamento e ventilação para armazenagem de produtos
por longos períodos, alguns pesquisadores comparam estes celeiros com
bancos nacionais no qual o cereal serviria como moeda de troca.
Em Mohenjo Daro foi encontrado um grande banho público, salões
para reunião e ambientes que podem ter sido usados para práticas
religiosas ou algo semelhante. Mohenjo Daro abrigava pelo menos 35.000 pessoas,
o governo parece ser centralizado e de estrutura sacerdotal, mas nenhum templo
foi identificado, foram encontrados representações simbólicas
que sugerem algum tipo de devoção ou pensamento filosófico.
Os sinetes (selos de pedra sabão em alto relevo) possuem representações
que podem ser identificadas com Divindades Hinduístas, um destes selos
retrata um ser em posição de siddasana ou samanasana rodeado
de quatro animais que foi identificado como Pasupati (O Senhor das feras)
ou Rudra (Shiva), outra estatueta representa um homem com o olhar entre os
olhos (Nasagra Drishtya). Um grande numero de sinetes representam o culto
ao feminino, o culto a Deusa-Mãe. Foram encontrados além dos
utensílios de cozinha e toalete pintados a mão, dados e peças
de xadrex, moedas (as mais antigas de todas conhecidas na Ásia), jóias
de prata, ouro e pedras esculpidas.
Segundo o arqueólogo, Sir John Marshall, no vale do hindu havia o culto
a Grande Deusa-Mãe, sendo às vezes representada
por estatuetas de figuras femininas grávidas, a maioria nuas, com gargantilha
alta e ornamento na cabeça. O deus masculino é identificado
como Shiva, sentado com as plantas dos pés tocando uma na outra (uma
postura de Yoga), foram encontradas muitas figuras de pedra do falo e da vulva,
. . . que apontam para o culto do linga e da Yoni representando Shiva e Shakti
(sua consorte). Até hoje Shiva é reverenciado como deus da fertilidade,
o deus do falo, ou linga. O touro Nandi o carrega.
Mehrgarh - 7000 à 5500 a.C. Esta cidade neolítica, estava
ao longo dos rios Indo e Sarasvati (já secos), estima-se que sua população
fosse de 20.000 pessoas, além de ter sido um grande centro de importação
e exportação, foi também um centro de criação
e inovação tecnológica. Os habitantes já cultivavam
algodão, produziam grande quantidade de objetos de cerâmica,
estatuetas de terracota. A lingua de origem era o Sânscrito (proto brahmi)
e os manuscritos datam de 5500 aC.
Harapa - 5500 à 2600 a.C.- Harappa é também considerada
outra "capital",mas tinha algumas diferenças, como o fato
de o celeiro estar localizado fora da cidade, pois a proximidade com o rio
Ravi permitia que toda a vizinhança transportasse por via fluvial os
gêneros para serem estocados. O tradicional banho ritual dos hindus
é refletido pelos intrincados sistemas de fornecimento de água
de Harapa, assim como um organizado sistema de coleta de lixo.
Dwaraka - Era uma cidade-porto. O nome Dwaraka, em sânscrito
significa portal , esse porto-cidade era uma porta de entrada para estrangeiros
no continente indiano. As ruínas da antiga cidade Dwaraka foram encontrados
sob o mar após os recentes estudos oceanográficos perto da moderna
cidade do templo-Dwarka. Essa cidade é citada diversas vezes no Mahabharata.
David Frawley diz:
"A cidade de Dholavira, um sítio Harappiano em Kachchh, foi revelado
como uma das maiores cidade portuárias do mundo antigo, datando talvez
de uma data anterior a 3000 a.C. Dholavira é localizada no que é
hoje um deserto, algumas milhas distante do mar, e sua habitação
apenas faria sentido devido a sua proximidade de onde teria sido o delta do
rio Sarasvati. Em Dholavira, curiosos pilares de mármore foram achados,
marcando provavelmente uma entrada para visitantes marítimos. Note
que no Rig Veda, Varuna, o Deus Vedico do mar, é associado com grandes
pilares.
Estão errados os estudiosos que aceitam agora a teoria da migração
- Romila Thapar e outros já que ignoram a importância do rio
Sarasvati nos textos Vedicos, apesar das dúzias de referências
Vedicas quanto ao seu tamanho e localização.
Era Védica 4500 a 2500 a.C.
Era em que surgiram os quatro Vedas, os grandes Rishis do passado (sábios
visionários) habitavam o vale do hindu as margens do rio Sarasvati
(falado nos quatro Vedas).
Em 3100 a.C. o rio Yamuna mudou o seu curso e deixou de desaguar no Sarasvati
em 2300ª.C. O Sutlej que era o maior afluente do rio Sarasvati também
passou a desaguar no Ganges e em 1900 aC o rio Sarasvati secou, e o povo Védico
e Arianos (falavam Sânscrito), eram um único e mesmo povo que
aí viviam, tiveram que migrar para o leste da India (às margens
do rio Ganges).
O Fim da Era Védica foi marcado pela guerra do Mahabharata 3102 aC.
que coincide com o inicio do Kali Yuga (falado nos puranas , tantras, sastras...)
A estrutura literária do Hinduísmo é dividido em dois
grandes blocos conhecidos como Shruti e Smriti.
O termo Shruti representa tudo aquilo que foi ouvido (intuído) e catalogado
pelos sábios nos quatro livros principais do Hinduísmo: Rig,
Sama, Yajur e Atharva Veda.
O termo Smriti representa um conjunto de escrituras secundárias, ou
interpretações dos ensinamentos dos Vedas, feitas pelos Rishis
(sábios) a fim de atingirem mais facilmente o homem comum.
SHRUTI
Os videntes védicos recebiam as suas visões sagradas como recompensa
de um árduo trabalho, de muita asceses e de uma profunda aspiração
à iluminação espiritual. Viam a si mesmos como filhos
da luz (Rig Veda 9.38.5) e tinham o coração voltado para a realização
da Luz celestial, ou do supremo Ser-Luz (Rig Veda 10.36.3).
Os quatro Vedas nos falam de rituais de adoração e manipulação
das forças da natureza, especulações filosóficas
e técnicas de meditação para o auto conhecimento e unificação
com o divino.
Cada Veda é composto de Samhita, onde encontramos os Mantras (hinos)
e rituais; Brahmana e Aranyaka, onde estão as explicações
dos hinos e rituais; Upanishad, que são comentários e especulações
filosóficas em torno da identidade cósmica entre Brahman (absoluto)
e Atma (o ser individual); kalpasutras, são textos que codificam e
regulamentam a realização de rituais.
VEDAS:
O termo Vedas provém do sânscrito, cuja raiz vid
significa sabedoria conhecer a Sabedoria Divina, por
isto os Vedas são traduzidos como Sabedoria Divina ou Suprema.
Os Vedas são considerados, por todos os eruditos Orientais e
Ocidentais, como a mais antiga de todas as escrituras do mundo e a mais sagrada
das obras sânscritas conhecidas. Foram escritos em um sânscrito
tão antigo, tão diferente do idioma atual, que não existe
outra obra semelhante na literatura de esse irmão mais velho
de todos os idiomas conhecidos. Max Muller
Rig Veda - 5000 à 4500 a.C.
É uma coleção de 1028 hinos (Sukta), divididos em dez
livros (Mandala), nos quais encontramos épicos, lendas antigas, encantamentos,
mitos, regras de comportamento social e religiosos, poesias etc. nele aparecem
muitas variações de linguagem devido a variação
cronológica e diversidade de autores.
O Rig Veda é a base de todas as concepções filosóficas
do solo indiano. Contém as primeiras perguntas que o homem fez em relação
a criação, à natureza do universo e de sua própria
função existencial.
Sama Veda - 2600 a. C.
Contém uma coletânea de melodias (Mantras) cantadas pelos sacerdotes
da classe Udgatar, durante as oferendas sacrificiais. Estes hinos reverenciam
uma bebida chamada Soma. È composto de duas partes: Arcita com 585
cantos, classificados conforme o ritmo ou os deuses aos quais se referem;
Utthararcika com 400 cantos de três estrofes em geral, agrupados segundo
a ordem dos principais sacrifícios.
Yajur Veda - 2400 a.C.
Contém formulas que os sacerdotes da classe Adhvaryu murmuravam nos
ritos de sacrifício.
Existem duas versões do Yajur Veda. A primeira, conhecida como Negra,
é a mais antiga, chamada assim porque suas formulas estão mescladas
e sem ordenação clara, foi copilada pelas escolas Taittrya Samhita,
a Kathaka e a Kapsithala kathaka Samhita.
A segunda versão, conhecida como Branca, leva o nome de Vajasaneyi
Samhita cujo autor é Yajnavalkya Vajasaneyi, por isso o nome, é
chamado de branco porque suas fórmulas possuem ordenação
clara e sistemática, ela possui duas revisões uma da escola
Madhyandina e outra da escola Kanva.
Atharva Veda - 2400 a.C.
Contém cerca de seis mil versículos sobre os mais diversos temas,
mas sobretudo ensinamentos de magia e medicina popular, destinados a promover
a paz, a saúde, o amor e a prosperidade material e espiritual. É
o Veda dos sacerdotes do fogo Atharvan e Angiras. Os Atharvan eram sacerdotes
operavam sortilégios bons, favoráveis a todas as partes, curando
enfermos, protegendo contra desgraças etc. Os Angiras atuavam enviando
desgraça, enfermidades aos inimigos e rivais de quem os procurassem.
A revisão mais conhecida é a da escola Saunaka com 731 hinos
em 20 livros com 6000 versos.
Divisões dentro de cada Veda:
Samhita
É um conjunto de hinos e rituais que formam o corpo inicial dos Vedas.
Brahmana
Explica a relação entre fórmulas e hinos que os sacerdotes
murmuram durante os rituais, contém explicações sobre
os rituais, mitos e narrativas cosmogônicas, antigas lendas, vestígios
históricos sobre o passado da Índia e a expansão Ariana
no Vale do Indo, costumes sociais, formação geográfica,
etc.
Aranyaka
Os Aranyakas (livros das florestas) surgiram a partir de um pequeno grupo
de iniciados que se retiraram para o silêncio das florestas em busca
de outras vias de salvação e especulações filosóficas.
Estes ascetas se colocaram em oposição a mecânica dos
complicados ritos de sacrifício e contra a apropriação
dos Brahmanas de todo o conhecimento e ato religioso. É a partir de
1900 a. C. que surge os Aranyakas e Upanishads, a literatura da tradição
Aranya (da floresta), uma vez que às margens do Ganges existiam vastas
florestas.
Upanishad
Foram elaborados a partir de 1500 a.C. e considerados como o mais alto ponto
de especulação sobre os Vedas. São conhecidos também
como Vedanta (parte final dos Vedas). Os ensinamentos principais dos Upanishads
estão na afirmação da identidade do absoluto com o ser
individual (Brahman - Atma).
Kalpasutra
São divididos em Shrautasutra, que codificam os sacrifícios,
e os Grhyasutra, que regulamentam os sacramentos que dão valor religioso
a vida individual desde o nascimento até a morte.
Era Brahmanica - 2500 à 1500 a. C.
Neste período o conhecimento védico ficou reservado aos Brahmanes
ou casta dos sacerdotes, foi a partir deste momento que as castas se tornaram
fixas.
Para os pesquisadores recentes a invasão Ariana nunca existiu pois
os Arianos sempre foram indianos e habitantes do Vale do Indo (como os Dravidianos),
sendo o Yoga um fruto da civilização Indo-Sarasvati.
De acordo com alguns estudiosos, o fim da Era Védica foi marcada pela
famosa guerra que consta no Mahabharata e que a tradição data
de 3102 a.C. Isso coincide com o início do kali Yuga.
Neste período os Vedas, que já eram recitados há milênios,
foram escritos em folhas de bananeiras e também algumas interpretações
dos Vedas - Smriti, feitas pelos Rishis (sábios) a fim de atingirem
mais facilmente o homem comum.
SMRITI
São as escrituras secundárias, temos: Dharma Shastras, os livros
que codificam as leis que regulam a sociedade; Itihasa, épicos nacionais;
Puranas, livros de educação religiosa popular; Agamas, tratam
das tendências devocionais e Dharshanas, que apresenta as principais
escolas de pensamento nascidas a partir dos Vedas.
Embora a maior parte dessas escrituras sejam posteriores a esse período
preferi citar todos aqui por pertencerem ao Smriti
Dharma Shastra
São regulamentos e obrigações das castas composto pelos
Brahmanes.
Precisamos entender que estes textos foram escritos pelo povo invasor proto
austríaco (1800 a.C.) , como forma de dominar a sociedade Indiana.
Esse povo fixou as castas, citadas conforme características pessoais
nos vedas, passando eles a ser a casta dominante ou Brahmanes. Uma parte da
sociedade indiana que não estava de acordo se refugiou na floresta
(Aranya).
O mais antigo é de autoria do ancestral mítico da tribo Manava
chamado Manu. As leis de Manu trouxeram benefícios e poderes para a
casta dos Brahmanes fortalecendo seu domínio sobre a sociedade indiana.
Determinava que tudo o que existe no universo é propriedade dos Brahmanes
a ele não seriam cobrados tributos porque um Brahmane irado poderia
apenas com a recitação de um Mantra destruir o rei e seu exercito.
Aos Sudras as leis eram mais severas em penalidades, se um Sudra abusasse
de uma mulher de um Brahmane, teria a propriedade confiscada e o órgão
sexual cortado, se um Sudra ouvisse a recitação das escrituras
Vedicas, o castigo era receber chumbo derretido em seus ouvidos e se recitasse
teria língua cortada, e assim por diante; a mulher era considerada
fonte de desonra, discórdia, mundanidade e deveria ser evitada e as
mulheres casadas deveriam demonstrar devoção ao marido.
As leis de Manu era um forte instrumento de controle social e manutenção
de poder dos Brahmanes ou povo invasor (1800 aC.).
Itihasa
São os grandes épicos da literatura Hindu. O mais significativo
é o Mahabharata, composto de histórias sobre uma guerra ocorrida
na Índia (3102 a.C.) entre duas linhagens Arianas em que o capítulo
principal é o Bhagavadgita, ensinamentos do Avatar Krishna para Arjuna.
Outro épico é o Ramayana, que descreve a vida de Rama (teria
vivido por volta de 6000 a.C) e de sua esposa Sita, sendo Rama o símbolo
de perfeição.
Purana
Instrumento de educação popular, tem a finalidade de imprimir
na mente do povo, por meio de exemplos concretos, os ensinamentos do Veda.
Descreve características e ações das divindades, detalhes
sobre a criação do mundo, genealogia dos deuses, dinastias reais,
especulações filosóficas, mitologias, etc.
Os Puranas estão classificados em aqueles que elevam Brahma (Brahma
P., Brahmananda P., Brahmavaivarta P., Markandeya P. Bravishya P. e Vamana
P.); os que elevam Vishnu (VishnuP. Padma P. Bhagavata P. Naradiya P. Garuda
P. e Varaha P.) ; e os que elevam Shiva (Shiva P., Lingam P., Skanda P., Agni
P., Matsya P., Kurma P.)
Agama
São as tendências devocionais que são tantas quanto os
Deuses do hinduísmo. Os mais expressivos são: Shivaistas (seguidores
de Shiva renovador e disciplinador), Shaktas (adoram o principio feminino
como criador e renovador), Ganaphatas (adoradores de Ganesha - conhecimento),
Hanupatas ( cultuam Hanumam, discípulo perfeito), Vaishnavas ( seguidores
de Vishnu preservador), Ramaphatas ( adoradores de Rama herói
divino), Krishnaphatas ( seguidores de Krishna- devoção e amor
divino) etc.
Darshana
São os pontos de vista ou escolas filosóficas nascidas do Veda
que tiveram origem entre 700 a C. e 200 a C.. As quatro primeiras aceitam
teóricamente o Veda mas possuem doutrinas opostas aos seus ensinamentos,
as duas ultimas, Mimansa e Vedanta, aceitam literalmente a autoridade dos
Vedas. Os seis Darshanas são:
1. Nyaya - origem 300 a.C. seu fundador é Gautama, autor de
Nyaya Sutra, textos que falam da possibilidade de se atingir a absoluto
através do argumento lógico e da mente racional. Nyaya significa
regra, examinar, regras do correto pensar.
2. Vaisheshika - origem 300 a.C., fundada pelo sábio Kanada.
Examina as particularidades da manifestação cósmica e
pregam a noção de uma constituição atomista do
mundo.
3. Samkhya - 700 a.C., fundada por Kapila. Descreve o desenvolvimento
cósmico como um processo gradativo e matemático. Dois princípios,
Purusha e Prakriti, interagem e criam toda a existência.
4. Yoga - 200 a.C., fundada por Patanjali, tem como base literária
os Yoga Sutras que mostra os passos para se chegar a liberação.
Esta escola é o clímax de um longo período de desenvolvimento
das práticas de Yoga e do pensamento Védico.
5. Mimansa - 400 a.C., fundada por Jaimini, autor dos Purna Mimansa
Sutras são as primeiras investigações dos Vedas no conceito
de Dharma.
6. Vedanta - 200 a.C., fundada por Badarayana, é conhecida como
a investigação final dos Vedas, tem como texto fundador os Brahma
Sutras, escrituras que divulgam os Vedas com a mais alta revelação
e propõe a doutrina do único Ser Supremo (Brahma), responsável
por tudo o que existe. O mestre mais exaltado em Vedanta é Sankara
(sec II a. C), pois foi graças aos Bhasyas, comentários que
fez dos Brahma Sutras e de alguns Upanishads, que os Vedas foram compreendidos
como um todo, como um elo de conhecimento sem contradição.
Parte dos Vedas foram escritos neste período também:
Brahmanas - 2500 à 1500 a.C. - Hinos e rituais codificados pela
casta dominante os Brahmanes. Noções matemáticas.
Arãnyakas 2000 à 1500 a.C. - Textos de hinos e
rituais para ascetas que viviam nas florestas.
Shulba-Sutras 1800 a.C. - Codificação matemáticas
(usadas em altares que se relacionavam simbolicamente com a estrutura do macrocosmo).
Era pós Vedica ou Upanishadica - 1500 à 1000 a.C.
Os Upanishads são o resultado de muita investigação a
respeito de Quem sou Eu, é ponto mais alto dos Vedas. O
conhecimento dos Upanishads destrói a ignorância , a semente
do Samsara.
O termo Upanishad deriva das palavras sânscritas upa ("perto"),
ni ("embaixo") e shad ("sentar"), representando o ato
de sentar-se no chão, próximo a um mestre espiritual, para receber
instrução. São respostas a discipulos muito bem preparados,
em que a resposta a uma pergunta apenas elimina toda a ignorância e
leva a liberação Moksha.
O Upanishad mais antigo é Brhadaranyaka onde o caminho meditativo esta
ainda ligado a conceitos sacrificiais, também especulações
sobre a origem do mundo, nascido do ser uno que se dividiu em dois, masculino
e feminino, criando assim todo o cosmo. Este ser uno é o objetivo final
do homem.
Outras Upanishads deste periodo foram: Chandogya Upanishad, Aitareya Upanishad,
kausitaki Upanishad, Kheno Upanishad.
Foram descritas 108 Upanishads onde 10 são as mais importantes: Isvara
Upanishad(quem é Ishvara?), Kheno Upanishad (quem move o mundo?), Katha
Upanishad (a morte como mestre?), Chandogya Upanishad ( canção
e sacrificio), Aitareya Upanishad (o microcosmo no homem), Manduka Upanishad
(modos de conhecimento), Kaivalya Upanishad(modos de liberação),
Prasna Upanishad (alento da vida), Taittiriya Upanishad (discursos sobre a
vida e a liberação), Brhadaranyaka Upanishad.
Era pré Clássica ou Épica - 1000 a 100 a.C.
Épicos:
Mahabharatha - Vyasa (3102 a.C.) Redação final por volta de
600 a.C.
Ramayana - Valmike (4300 a.C.) Redação posterior ao Mahabharata
Alguns Puranas:
Leis de Manu - (676 a.C.) Códigos de leis criados pelo povo dominante
- Ver em Dharma Shastras
Era Clássica - 100 aC, à 500 d.C.
Yoga Sutras - Patanjali - 200 a.C.
Brahma Sutra - de Bãdarãyana
Samkhya - Kapila - 700 a.C.
Budismo Mahayana - 700 d.C.
Vedanta de Sankara - 200 a.C. - (Bhasyas dos Brahmas Sutras e de 10
Upanishads)
Era Tantrica e Purânica - 500 à 1300 d.C.
Puranas - baseados em Puranas da Era Védica.
É falado que o Tantra é anterior aos Vedas e que tem 10.000
anos de existência. O período entre 1500 e a época de
Buda foi reconhecido como o Séculos das trevas por falta
de material histórico, provavelmente porque o Tantra foi marginalizado
pelo povo invasor. Assim o Yoga e o Tantra desenvolveu-se nos círculos
não Brahmânicos as margens da sociedade.
Obras do Tantra e do Hatha Yoga:
Goraksha Samhita - Goraksha - 500 a 1000 d.C.
Hatha Yoga - Goraksha - 500 a 1000 d.C. (obra perdida)
Yogakundalini Upanishad - Hatha Yoga e Kundalini Yoga
Yogacudamani Upanishad (retirados do Goraksha Sanhita )
Yogatattva Upanishad (Kundalini Yoga e Nada Yoga)
Hatha Yoga Pradipika - Svatmarama (séc XIV d. C.)
Gheranda Samhita - sec. XVII
Shiva Samhita - sec XVII
Yoga Yjnavalkya -
Tantra Sastras - 400 à 1200 d.C.-
O Tantra é mais que apenas uma coleção de técnicas
de Yoga e meditação. É o esforço para lutar contra
todos os obstáculos e avançar a partir do imperfeição
para o perfeição, do estado de limitação a liberação
final em vida - Jiva mukta.
Nas sociedades matriarcais (do vale do Hindu), que deram origem ao tantrismo
hindu, não existem grandes diferenças entre o homem e a mulher
ou corpo e espírito. O Tantra vê no corpo humano um templo vivente
sem distinção entre carne e espírito. Tudo interage naturalmente
em perfeita harmonia inclusive a sexualidade.
Referências:
Feuerstein, Georg - A tradição do Yoga
Feuerstein, Georg - Manual de Ioga
Zimmer, Heinrich - Filosofias da Índia
Zimmer, Heinrich - Mitos e símbolos na Arte e civilização
da Índia
Saraswati, Aghorananda - Mitologia Hindu
Tradição Védica









