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A meditação
é um fenômeno simples. A concentração é
complicada, pois exige esforço da sua parte, ela não é
natural, a natureza da mente é dispersão, ela gosta de passear,
mover-se de um lado para o outro, excita-se com as novidades, na concentração
a mente ficará aprisionada.
A meditação não é um exercício mental,
ao contrário, onde a mente acaba a meditação acontece.
O estado meditativo é sua própria natureza. Estar consigo mesmo,
como consciência observadora, é meditação. Para
isso você precisa exercitar a concentração desta consciência
observadora, exercite, primeiramente, em cada momento em que você esteja
sem fazer nada, como no ônibus, na cama enquanto o sono não vem,
ou mesmo nas ações que já se tornaram automáticas,
como caminhar, dirigir, lavar a louça ...
Você pode levar uma vida meditativa quando se torna um observador da
própria mente.
Mas por que a mente não consegue parar de pensar?
Por que é tão difícil silenciar a mente?
Paralisar as palavras não é possível. As artimanhas da
mente são muitas, ela não deseja desaparecer. Assim a mente
deseja sempre estar em outro lugar, está sempre querendo outra coisa,
isto porque se ela estiver presente, aqui, ela não será mais
necessária. É por essa razão que você está
sempre buscando o novo, busca viajar, busca lugares diferentes, um novo livro,
novas pessoas, tudo se torna descartável quando você encontra
a si mesmo, você busca fora o que deveria buscar dentro. O fato é
que quando você pára para meditar a mente ainda continua com
sua tagarelice e desejos, existe um hábito que somente desaparece com
o firme propósito de vigiar, olhar a mente.
Nós temos muita dificuldade de acomodar a mente, não acomodamos
nosso passado, não acomodamos as pessoas com quem convivemos, não
acomodamos o meio em que vivemos, temos milhões de desejos renovando-se
a cada instante. Mas qual é o nosso desejo básico? Queremos
ser felizes e para isso queremos um passado melhor, pessoas melhores, um lugar
melhor para viver, temos milhões de desejos desviando a nossa atenção
de nós mesmos que é tudo o que buscamos. A mente é a
primeira filha de maya, o véu que encobre a realidade absoluta, dessa
forma ela faz de tudo para nos manter afastados de nós mesmos. As ações
mantém o sansara, e a mente oscilante mantém as ações,
assim essa roda continua a girar movendo-nos para longe de nós mesmos.
Não estou dizendo que você, a partir de hoje, não deve
fazer nada, deixando o mundo das ações, mas sim que faça
tudo sabendo que você não é a mente pensante, mas o observador,
e um dia as ações lhe abandonarão, assim diz a Bagavadgitã.
É preciso descobrir esta mente, descobrir os caminhos que ela percorre
para poder bloqueá-la. É necessário discernir sujeito
e objeto, o real do aparente. Olhar para a mente é a forma de colocá-la
na sua real posição de objeto e não de sujeito. O sujeito
sou Eu ela passa enquanto Eu permaneço. A mente
silenciosa sempre esteve com você, ela está lá o tempo
todo, você somente precisa descobri-la.
Você esteve olhando sempre na direção errada, olhava para
fora. Este também é um hábito, um vasana
ou tendência e você não poderá bloquea-la, a mente
reage a negação dela mesma, assim a melhor forma é observar
o silêncio entre um pensamento e outro e amplia-lo. Entre uma palavra
e outra existe um silêncio, esteja atento ao silêncio. Em meditação
usamos o mantra, o mantra é repetido, ele é sempre o mesmo pensamento
e assim fica mais fácil perceber o silêncio entre pensamentos.
Quando você nasceu, nasceu como silêncio, veio ao mundo
com um vazio infinito, e então você começou a colecionar
palavras
A mente significa palavras, o Ser significa silêncio. Silêncio
é meditação, e ele está sempre presente, está
entre as palavras, ele está por baixo, por detrás, das palavras.
So Ham - Deus sou Eu, é um mantra que acompanha a respiração.
Este Mantra está sempre presente, estejamos ou não conscientes
da respiração, e ainda assim esquecemos de nossa realidade divina.
Meditando na observação da respiração e do mantra
So Ham criamos um sanskara, uma impressão profunda em nossa mente,
e inevitavelmente a mente tenderá a correr para a realidade So Ham.

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